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A maioria dos estudos que avaliam os efeitos da exposição de seres humanos à radiação ionizante é baseada nas observações de populações sobreviventes de explosões nucleares como Hiroshima e Nagasaki, acidentes nucleares, como Chernobyl, ou em pacientes submetidos à radioterapia.

Os pacientes submetidos a exames de diagnóstico são expostos a pequenas doses de radiação em diferentes momentos. Alguns exames expõem o paciente a níveis muito baixos de radiação. Por exemplo, uma cintilografia óssea usa uma dose de radiação de cerca de 0,05mSv-o equivalente a cerca de seis dias de exposição de radiação ambiente. Para a mamografia, a dose é de 0,7mSv-o equivalente a três meses de exposição à radiação ambiente. A densitometria óssea e radiografias de extremidade, como a de antebraço, por exemplo-geram uma dose equivalente a menos de um dia de exposição à radiação ambiente (0,001mSv). As radiografias odontológicas, como a panorâmica e radiografias intraorais, geram doses de radiação ainda menores do que aquelas utilizadas na medicina. Além disso, radiologistas, tecnólogos e técnicos são treinados para limitar a exposição do paciente à menor dose de radiação necessária para o diagnóstico correto.

São três os princípios básicos da proteção radiológica: justificação, limitação da dose e otimização. O princípio da justificação diz respeito à indicação do exame. Somente se deve indicar um exame que exponha o paciente a radiação ionizante se os benefícios potenciais trazidos pelos resultados dos exames superem os riscos envolvidos. A limitação da dose é estabelecida na legislação. No Brasil, o órgão responsável pela regulamentação das doses de radiação á a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A otimização quer dizer que devem ser utilizadas doses tão baixas quanto razoavelmente exequíveis, considerando os fatores econômicos e sociais. É o princípio ALARA (as low as reasonably achievable). Em suma, a proteção radiológica deve ser levada em conta desde a indicação do exame, passando pela colimação (foco) do feixe de raios x, excluindo áreas fora do interesse diagnóstico, filtros para evitar raios X de baixa energia que não contribuam para o diagnóstico, e equipamentos de proteção radiológica.

Entre os equipamentos de proteção, na Odontologia, usamos os protetores de tireóide (dependendo do exame) e aventais plumbíferos (de chumbo). Há preocupação especial em proteger as pessoas cujo trabalho envolve a exposição diária a fontes de radiação ionizante. Esses trabalhadores fazem uso de um dispositivo que calcula a dose acumulada de radiação a que foram expostos, o dosímetro. Quantos todos esses cuidados são levados em consideração podemos tranquilizar o paciente em relação ao uso da radiação, já que seu benefício é muito maior do que o risco.